A nobre origem do CCS-SP

O Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP) completou 47 anos de existência. O marco dessa trajetória foi a iniciativa corajosa de 25 corretores de seguros que fundaram a entidade, em 5 de outubro de 1972, com o propósito de dar voz à categoria que na época estava impedida de manifestar devido às restrições impostas pelo regime militar

 

Entre 1964 e 1971, o governo militar decretou intervenção em 573 sindicatos, federações e confederações sindicais. Segundo o historiador e professor da UERJ, Helder Molina, o sindicalismo passou a ser totalmente controlado pelos aparelhos militares. Naquela época, a Portaria nº 40 do Ministério do Trabalho “vedava o acesso aos sindicatos de todas as pessoas que fossem contrárias ao pensamento do general Castelo Branco”. Estes seriam impedidos de retornar por meio de eleição.

 

No artigo “O papel do direito do trabalho e dos sindicatos na época da ditadura militar”, publicado pelo site Âmbito Jurídico, Janaína Alcântara Vilela explica que o governo escolhia os líderes sindicais “para não fomentar o germe de combate à ditadura”. A perseguição aos sindicatos e sindicalistas foi inclemente, segundo ela, principalmente depois do AI-5, na era do governo Médici (mandato de 1969 a 1974).

 

Naquele período, até mesmo os sindicatos patronais se viram ameaçados. Para reagir à repressão, muitos recorreram à criação de entidades de classe, como uma maneira de continuarem atuantes na defesa de suas respectivas categorias. Embora fosse um sindicato patronal, o Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo também ficou limitado devido às medidas restritivas impostas pelo governo militar. 

 

Em sua origem, o CCS-SP adotou como logotipo três elos, representando o corretor, o consumidor e a seguradora.  O seu regimento interno, que inspirou seu atual estatuto, define que a finalidade do Clube é o “congraçamento da classe” e que “pugnará pela observância dos princípios do companheirismo, ética, cultura profissional e recreação”.

 

O CCS-SP também encabeçou discussões importantes da categoria, como a criação da Fenacor, em 1975. O primeiro presidente da Fenacor, José Querino de Carvalho Tolentino, foi um dos fundadores do Clube. Diversos presidentes do Sincor-SP saíram dos quadros do Clube. O mais recente foi Alexandre Camillo, atual presidente do Sincor-SP, que foi mentor entre 2012 e 2014.

Na exposição “O corretor de seguros através dos séculos”, o Sincor-SP relembra essa história. “Em 1972, profissionais da área criaram, em São Paulo, o Clube dos Corretores de Seguros, onde passaram a se reunir para defender os interesses da classe”. O Clube foi vital para dar voz aos corretores de seguros, em uma época em que não havia liberdade de expressão.

 

Sobre o futuro, a palavra-chave é “modernização”. O desafio é entender o momento atual de profundas transformações para poder preparar a categoria para se adaptar às mudanças. 

 

Os fundadores

O CCS-SP foi fundado no dia 5 de outubro de 1972 pelos corretores de seguros: Abdon de Oliveira, Antonio D'Amélio, Benedito Dario Ferraz, Brasil Geraldo, Carlos Abreu Costa, Celso André, Cláudio Luiz Martins, Edgar César Portal Jorge, Geraldo Afonso Teixeira de Assunpção, Geraldo Resende de Matos, Henrique Elias, Hermínio Brandão, João Leopoldo Bracco de Lima, José de Almeida, José Querino de Carvalho Tolentino, Leonídio Jorge Valente, Menotti Minutti Junior, Milton D' Amélio, Oswaldo Bevilacqua Festa, Oswaldo Montanini, Paulo Silveira, Petr Purm, Renato Rubens Rocchi Guedes de Oliveira, Roberto da Silva Porto, e Zenio Vergueiro Sampaio.

O primeiro mentor, Antonio D'Amélio, comandou o Clube na gestão 1972-1974.

Almoço do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo. Foto extraída da  exposição “O corretor de seguros através dos séculos”

Boletim Informativo do CCS-SP - agosto de 1975